18.

As palavras à flor da pele, em que guarda um silêncio vergonhoso que nos revela a distância de tudo. A pressa, o momento de entrar na sala de reunião, esperar pelo que não sabemos ou sabe-se lá o quê. As pessoas caminham por uma irrealidade no decorrer dos dias. Vivem e não vivem. Caminham com pensamentos de curto prazo, pensamentos como celulares pré-pagos, onde há a pressa de ser ouvido, onde há a pressa de falar. Uma irrealidade opaca e ao mesmo tempo opressora, descartável. Não quero isso pra mim, não quero fazer parte desse sistema angustiado e insone. Essa ausência é pior que a ausência que conhecemos, é uma espécie de solidão no meio de tantos, esbarrando nas pessoas sem desviar, buscando a clemência, o perdão, a chave do paraíso. Acho que vou sempre preferir as tardes com gosto metálico na boca, ouvir o resvalo de minhas memórias e continuar contra essa irrealidade maldita dos dias, onde tudo cresce quieto, mesmo que em meu peito haja um vazio incompreensível, enfim, quieto.

G.C.

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