17.

Meu atonal do silêncio, para você deixaria nesse livro tudo que senti, deixaria tudo que pude ver e relatar, mas você sabe que muito se perde depois da escrita. O verdadeiro sentimento jamais será desvendado. Somos paisagens isoladas no meio das horas. Os livros que escrevi me parecem repetitivos igual a porra da vida, mas eles me enchem as mãos de alguma coisa que não sei explicar e que lentamente choram. Quantas vezes fui triste, quantas vezes fui dor, quantas vezes fui um coração que levanta toda manhã em busca de uma resposta satisfatória para o que me faz pensar e sofrer. Cortaram as asas que eu não tinha e a vida se apagou lentamente com o decorrer dos anos, o resumo do universo num espaço amarelo e profundo do papel. E você que me lê é mais uma paisagem isolada que poderá até sentir de algum modo o que senti e que entranhará em seu peito aquela distância de nós mesmos. Seremos a reclamação dos que amam destemidamente mesmo que sejamos o contrário disso. Explicaremos a grandeza a quem não sabe escrevê-la, mas que pode senti-la de um jeito que não machuca igual machuca em nós. Seremos atonais do silêncio, todos impossíveis e que se perdem com pressa, seremos nossos próprios fantasmas amargurados de tanto que sentimos e de como sentimos. E deixarei dentro desse livro o impossível do rumo silencioso, às vezes com alguma música triste que poucos conhecem. Escreverei em meu atonal de treva, escreverei em meu atonal de silêncio as palavras que cantamos no meio das horas amareladas do tempo.

G.C.

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