12.

Pouco tempo atrás fui a um velório de um desconhecido. Vi as pessoas chorando, clamando por deus, rezando e implorando uma passagem tranquila ao rapaz. Morreu jovem. No meio daquela gente eu fiquei pensando no que se tornou a minha vida, no tempo em que passei em estado de sonho, no tempo que passou vivido em ilusão, numa mentira tosca e cruenta de mim mesmo. Vivi um futuro imaginado e ao ver o rapaz morto senti finalmente a falta da razão das pessoas, a minha própria falta de razão ao viver do passado e eles de deus. Um rio que corre solitário em meio ao que os mortais jamais saberão, jamais.

Senti naquele momento a vida passada em vão, um rio que corre mais rápido que eu, mais depressa que meu desejo de finalmente não questionar mais nada. O deus de vocês põe e tira sem uma explicação lógica, o que resta é rezar à sua vontade, não ao passado corrido em futuro presente, não ao fato da dúvida, pois a dúvida nunca foi confortável, nem para mim. Enfim, fui tudo aquilo que não pude ser e senti isso ao olhar a sala ao lado, com outro velório, só que vazio, sem uma alma para lhe dar as placas, setas, a prece, a música ou a ilusão. O palco de deus é onde corro nu, numa ilusão que penso ser real para um reino onde as coisas não são tão justas como manda qualquer passagem. Nossa hora é amanhã.

G.C.

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