6.

Até um tempo atrás pensei que poderia mudar o mundo com a arte. Busquei fazer a música ideal para buscar no coração das pessoas essa mudança. Queria poder mostrar uma nova forma de vida, de sentimento, sem a obrigação da moral, do dinheiro ou qualquer coisa mundana. Queria apenas mostrar a maneira com a qual eu vejo o mundo. Agora compadeço: fiz tudo inutilmente. Não apenas não consegui, mas percebi como as pessoas se tornaram mais materialistas, idiotas e insensíveis. Vivi tantos fracassos que meu esforço era pra não morrer pelos socos que a vida me deu e ainda dá diariamente. Agora sei que não posso mudar as pessoas, a única pessoa que posso mudar sou eu mesmo, encontrar algo em mim, algum desejo, alguma necessidade que me faça sonhar em algo realmente belo. Queria poder não olhar pra trás e constatar isso. Então, na música que fiz e que faço, encontrei o que realmente preciso pra mim. Sei agora que músicos não mudam o mundo, mas alguns passam a vida tentando sem conseguir. Bravos! É um fracasso que realmente admiro. Sou um perdedor igual a vocês que tentaram, que nunca se cansam de perder. Desfruto em cada música, sejam minhas ou suas, o meu rotundo fracasso, esquecendo assim as certezas das pessoas mecanizadas que nunca sequer sentiram alguma coisa realmente. A música que corre em mim, esta música que corre em meu coração, esta música que está em mim da cabeça aos pés e me faz dançar sem me mover. Este símbolo patético e inútil que é uma causa heroica, verdadeira e muito importante aos que veem.

G.C.

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